segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O primeiro ou o último?

Dizem que o verdadeiro amor é o primeiro.

Num plantão de pronto-socorro esses dias eu atendi um senhor bem velhinho portador da doença de Parkinson. Ele tinha mais de 80 anos, estava na maca, de olhos fechados, enfraquecido, apesar de ser um cara grandão, de mais de 1,90m.
Ele vinha acompanhado do filho adulto - um chato - e da esposa pequenina e magra, menor do que eu que já sou baixinha. Era um casal bem humilde, vindo de um bairro pobre desses da periferia. Ela trazia e apertada na mão as receitas dos milhares de medicamentos que ele tomava pra controlar a desestabilizadora doença. Estavam preocupados porque o velhinho não comia há dias. Enquanto eu conversava com a simpática senhorinha de olhos ligeiros, vi que o senhor na maca tremia e se encolhia um pouco. Perguntei a ela se ele talvez estivesse com frio. Ela imediatamente se aproximou da maca e, tão pequenina e magra, quase na ponta dos pés, perguntou baixinho no ouvido do marido grandão:
"Querido, você ta com frio?".






Ninguém vai me tirar da cabeça que o verdadeiro amor é o último. Até que a morte os separe.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não há mensagens.


Oito da noite. Apresentação de música rolando numa igreja. Frio rolando lá fora. Menina sentada sozinha no penúltimo banco, rolando o celular no bolso.

20h10. Olha disfarçadamente para o celular. Sem ligações, sem mensagens de texto. Igual às 19h26, às 18h49 e o dia inteiro antes disso. Guarda o celular como se nem estivesse ai. Menina, não seja blasé, essa olhadinha escondida não engana nem a você.

É choro a música que vem lá da frente. É, menina, um bom choro talvez resolva o seu problema. 20h17. Larga mão, menina, ele não vai ligar! Um violão, ora um sax, ora flauta, percussão. Se a menina entendesse de música, procuraria por um baixo, já que a situação parecia grave. 20h24. Ainda sem resposta.

Abraça o corpo ou coloca as mãos nos bolsos: finge que não é pra sentir se acontecer de o celular vibrar. Balança o pé e finge que não é inquietude, coloca no ritmo da música. E, já que ta fingindo, olha de novo o celular e finge que é pra saber a hora. Olha e mal repara, nem registra 20h31. O ícone de mensagem não pisca, tampouco o de ligação.

Verifica a qualidade do sinal, por via das dúvidas. Pela via das dúvidas anda o esperançoso. E não sei se é porque a esperança sempre morre no final (afinal a via das dúvidas é bem duvidosa), mas a própria dúvida morreu ali mesmo: o sinal estava perfeito.

Não, menina, ele não ligou, ele não respondeu às suas mensagens. E não é por causa do sinal.

A menina se distrai por uns minutos com a criança de orelhas de abano três bancos à frente. Menina, não franza a testa pra ele. Talvez um dia ele diga que vai ligar para uma menina. Talvez ele ligue mesmo.

Odiou o celular que não vibrava. Odiou o banco duro, a música linda dedicada à esposa do compositor. Odiou se submeter à espera – odeia esperar. Odiou as bochechas infladas do cara que tocava sax e a camiseta cor-de-rosa do percussionista que suava. Nem precisa falar que a menina odiou o pandeiro... E o padeiro e o carteiro na platéia. E a vida, o universo e tudo mais.

20h45 nada. 20h48 nothing. 20h52 niente. 20h53 mucho menos. Resposta zero em qualquer língua. Agradecimentos lá na frente. Alguém puxa uma salva e é seguido por todo mundo. A menina se distrai ao acompanhar as palmas. Odeia quando todo mundo tem que ovacionar em pé com os puxa-saco da primeira fila. Odeia ocupar as mãos e deixar o celular desguarnecido. Plateia pede pelo bis do choro porque a apresentação de choro foi bonita. A menina pede por uma resposta. Porque acha que foi esquecida.

20h58, alonga o pescoço, levanta novamente para bater palmas. Confere mais uma vez e sai da igreja, vai para a rua, via de dúvidas, sentindo que lá, talvez, o choro continue.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu e um cara.

De repente eu comecei a me sentir velha demais, too much broken, para as paixões e os romances ardentes e explosivos. Aqueles cheios de drama, beijos molhados, lágrimas, saudades e declarações. Eu comecei a me sentir velha demais para as paixões dos livros. As mesmas que tanto me inspiraram e me fizeram apaixonar por pessoas e, muito mais do que isso, pelo amor em si.
Porque, sim, é claro que o amor é bonito e inspirador. Eu ainda amo coisas bonitas e inspiradoras. Mas não procuro mais beleza e inspiração no amor.
De repente eu comecei a me sentir estranha. Um cara que eu, meio sem querer - meio por incentivo de um amigo bêbado, deixei entrar na minha vida. Ele era só uma boa carona com boa música no rádio, boa conversa, boas risadas, boas madrugadas. Bons beijos. E só. Depois bom abraço, boa companhia, bons desabafos, boas confissões, boas noites, bons sorrisos cúmplices. Bom sexo. E mais.
Ele riu de eu lhe contar a epifania e me chamou de maluca, mas eu de repente me vi inesperada e inexoravelmente apaixonada por ele.

Não estou procurando nada, não estou querendo definir nada. Mas alguns sentimentos estão, sim, bonitos e inspiradores ultimamente. Sem drama, sem clímax, sem choro, sem explosões apaixonadas. Só eu e um cara. Assim, meio sem querer.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Santa Marina da Boa Morte.

Enfiei a cabeça pela porta do puxadinho para checar se minha avó, Albina, precisava de ajuda na lavanderia. Sem se dar conta da minha presença, ela retirava apressada alguns jeans dobrados de cima da máquina de lavar que sacolejava, em funcionamento. A pobre máquina, coitada, é mais velha do que eu. Funciona bem que é uma beleza, mas, quando imagino todas as ombreiras, calças de cós alto e mangas princesa que ela lavou nos anos 80, não posso deixar de ter pena.

Terminado o trabalho da velha combatente, vovó abriu a tampa, espiou o resultado, não se deu por satisfeita e fez a máquina recomeçar. Minha ajuda seria inútil.

É uma senhora das mais inseguras, a minha avó. Fico alvoroçada com o número de vezes que ela precisa checar se pode, se cabe, se está benfeito, se não vai incomodar, se todos concordam, se ninguém tem outra ideia, se vale mesmo à pena. Ela diz que é uma questão de educação e precaução, mas para mim é mesmo pura esquisitice.

Fui criada por Vó Bina desde sempre. Pai eu nunca tive e minha mãe morreu quando nasci. Nos tempos de infância, sempre que eu contava para alguém esse fato, recebia olhares de pena e palavras de condolência. Não via razão nenhuma para isso, se alguém tinha de receber um abraço, era a minha avó, que perdera uma filha querida, não eu, que não perdera ninguém conhecido. Nem a minha irmã, Clara, dois anos mais velha do que eu, tinha razão para fazer chororô, mas ela jurava que se lembrava da nossa mãe e que sentia saudades. Vai saber.

Por ser “desaforada” e “inoportuna”, eu tomava uns tabefes costumeiros da Dona Bina. Sempre fui meio intempestiva. Quando alguém adulto, com a intenção de me censurar, dizia: “sua mãe não te deu educação, mocinha?”, eu olhava com a maior cara de deboche e dizia “não” – o que não era mentira.

Não me entenda mal. É claro que gostaria de tê-la conhecido. Guardo na memória com carinho os detalhes da personalidade e da fisionomia dela que eu ouvi em histórias ou vi em fotografias. Tenho o mesmo sentimento em relação ao meu avô Antônio, que também não conheci. E quando quero saber de algo que ainda não sei sobre os dois, investigo.

Tive uma educação das boas nas mãos da Vó Bina. No entanto, pouco herdei de sua personalidade rigorosa e preocupada. De regrado, só tenho a sonoridade do meu nome. Fui batizada como Marina Albina Albernaz. Final com final, começo com começo. Tudo combinando. Um horror. Embora a autora dessa primorosa obra poética que é o meu nome jure que foi tudo absolutamente sem querer.

Depois de deixar o puxadinho e perceber que nada havia em casa que precisasse ser feito por mim, sentei no degrau que dá para o jardim e deixei minha mente entrar naquele limbo da imaginação, que só o tédio propicia.

Não sei se é pela minha intempestividade, pela minha falta de escrúpulos ou se pela presença remota da morte na minha vida, mas, quase todas as vezes em que entro nesse limbo imaginativo, conjuro a mesma imagem: a Morte. Nunca ninguém amado por mim morreu. Minha mãe e meu avô primeiro se foram e só depois descobri que poderia e deveria amá-los.

Talvez para tentar imitar o sentimento de perda ou, melhor ainda, para brincar de resolver os impasses práticos do fim da vida de alguém, mato, na imaginação, quase todo mundo que eu conheço, das mais variadas formas possíveis. Às vezes apenas inflijo uma doença horrível, sem morte no final. Mas só às vezes, porque prefiro o desfecho de sempre.

O meu próprio desfecho também tem vez. Morro jovem, morro velha, morro numa infância já ida – pela qual, é mais do que evidente, passei intacta, vivinha da silva. Morro e distribuo bens. Minhas joias ficam para um, os livros e discos para outro – já as roupas, acho que é melhor doar tudo, a não ser que alguém reclame alguma peça.

Depois tem o drama do decurso: Se a morte é lenta, o drama é grande. Se é veloz, o drama é ainda pior, porque daí não dá nem tempo de planejar o destino dos bens. Na vida real, ou melhor, na morte real, acho que prefiro o segundo modo, mas para a imaginação e para a literatura cabe mais o primeiro. Porque dá mais argumento para a trama e isso aqui é um romance e não um conto.

Sendo lento, o processo varia: Às vezes recebo meus familiares, amigos e antigos amores para visitas de despedida, cheias de metáforas e verdades nunca ditas. Antigos amores: tá aí gente que eu acho que só apareceria para me ver se tivesse certeza de que seria a última vez.

Às vezes imagino longas cartas de adeus. Uma rancorosa ao meu primeiro amor, outra verborrágica àquela professora arrogante que disse que eu deveria cuidar para não falar mais do que o necessário. Gosto de ficar escrevendo as cartas na minha cabeça. Passo horas nisso. É um jogo sujo que não dá brecha para intervenções e diálogos já que, geralmente, na minha imaginação, elas só são lidas depois que eu já parti dessa para uma melhor e, mesmo que alguém queira contestar aquilo que escrevi, pouca coisa poderá ser feita a respeito.

A verdade é que dá pra morrer de tudo quanto é jeito e, na vida real, ou melhor, na morte real, a gente não escolhe qual é o jeito que vai ser. Vai ver é por isso que eu imagino. Com sorte, supondo de tudo, eu bato as botas de uma forma para a qual já me preparei! Bobagem. Imagino mesmo é porque não dá pra proibir o pensamento de vir. E nisso é que se assemelham essas duas, a morte e a imaginação. Ninguém as controla nem sabe ao certo por que é que elas vêm. Mas que as safadas vêm, vêm, e delas não há quem possa se esconder.

sábado, 7 de agosto de 2010

Fica a dica:

Se não vai ligar, não diga que vai.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

All my life to live, all my love to give.

Vi dois filmes seguidos, hoje. Um era um drama o outro uma comédia romântica. Chorei como uma criança em ambos. Conhecendo-me há 20 anos e sabendo que isso não é (tão) normal aqui, fiquei me perguntando o que havia de errado. Lembrei-me de que hoje é dia 25: dia de comemorar mais um mês solteira. Tenho um princípio de TOC e adoro em contar o tempo e guardar datas. Então fiz algumas considerações sobre coisas que aprendi nesses oito meses:

8. Nenhum livro nem nenhum filme pode te preparar para uma decepção amorosa.
7. Pelo contrário, eles te dão esperanças de finais sempre felizes.
6. De fato, homem é que nem biscoito: vai um, vêm duzentos e oito.
5. Quando você estiver carente, não vai ter nenhum.
4. Para isso você amigos, que estarão lá SEMPRE.
3. Porque SEMPRE estarei lá pra eles.
2. Corações verdadeiramente partidos nunca poderão ser consertados
1. Mas é possível sobreviver a isso:


http://www.youtube.com/watch?v=cvsI3jc4pPA


Obrigada a vocês que me ajudam a sobreviver e ir colando pedacinhos a cada dia.
É, oito meses, sim, AND STILL COUNTING!















Não posso dizer que foram oito meses ruins, meu bem.
A gente tem que saber administrar o tempo que tem. ;)

domingo, 30 de maio de 2010

Easy Virtue.


"É verdade o que dizem por aí? Que você teve muitos amantes?"
"É claro que não é verdade. Quase nenhum deles realmente me amou."
Do filme "Easy Virtue", de Stephan Elliot

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Veneno

"Era muito fácil dizer 'Beba-me', mas a ajuizada pequena Alice não iria fazer isso assim às pressas. 'Não, primeiro vou olhar', disse, 'e ver se está escrito veneno ou não'; pois lera muitas historinhas divertidas sobre crianças que tinham ficado queimadas e sido comidas por animais selvagens e outras coisas desagradáveis, tudo porque não se lembravam das regrinhas simples que seus amigos lhes haviam ensinado: que um atiçador em brasa acaba queimando sua mão se você insistir em segurá-lo por muito tempo; quando você corta o dedo muito fundo com uma faca geralmente sai sangue; e ela nunca esquecera que, se você bebe muito de uma garrafa em que está escrito veneno, é quase certo que vai se sentir mal, mais cedo ou mais tarde."

CARROL, Lewis; 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Diálogo esclarecedor.

Fer diz: "Carol, quem eu quero não me quer."
Carol diz: "Que milagre. É por isso que você ta parecendo uma lunática?"




Ops.

sábado, 10 de abril de 2010

Romântica, eu?

Fiquei com um quase desconhecido pela primeira - provável e possivemente última - vez. No meio da conversa ele me perguntou se eu sou romântica. Pensei um segundo e todo o nosso relâmpago e inexistente relacionamento me passou pela cabeça. Respondi: "Não". Mas antes mesmo de eu terminar de pronunciar a negativa eu pensei em tudo que eu sou, em tudo que eu faço e penso. Corrigi: "Na verdade, sou romântica até os ossos". Mesmo que não estivesse me sentindo romântica. Estava com aquele sentimento de efemeridade do tempo, relações fluidas da modernidade, one-night-loving. Algo que eu estava certa de que não teria continuidade.
Pois que me enganei. Sou, faço e penso. Fiquei com um cara pela segunda vez. Quando senti falta de um abraço de despedida e uma mensagem de boa noite, percebi que, sim, sou romântica.
Sou, faço e penso. O tempo todo. Me alimento de comida, bebida, livros e romance.
Estive perto do cara, leia-se: não fiquei, pela terceira vez. Quando ele nem olhou para mim eu me dei conta de toda a verdade: não só sou romântica até os ossos, como até as medulas e os humores.
E me iludi completamente. De novo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Travei

"Porque eu não acredito na existência de musas. Em primeiro lugar, penso que o sussurro da criatividade, o murmúrio do daimon é sempre conquistado na base do esforço (como dizia Picasso, que a inspiração te pegue trabalhando); e também estou convencida de que os musos e musas mais eficientes não são os verdadeiros amados, e sim as ilusões passionais. Quer dizer, a pura fabulação. Quanto mais longínquo, mais frustrado, mais impossível, mais irreal, mais inventado for o relacionamento sentimental, mais possibilidade tem de servir como estímulo literário. O imaginário reaviva a imaginação, enfim, enquanto a realidade pura e dura, o ruído imediato da própria vida, é péssima influência literária."

MONTERO, Rosa. 2004

Travei, não consigo escrever nem um parágrafo sobre qualquer coisa que seja.

sábado, 20 de março de 2010

Romance.

"Mas o mais importante é que eu tenho que parar de mentir para mim mesma. A vida não é um livro romântico. A verdade é que livros românticos vendem tão bem - a razão por que as pessoas gostam tanto deles - é que a vida de ninguém é daquele jeito. Todo mundo quer que a vida seja assim.
Mas a vida de ninguém é assim, na verdade."


CABOT, Meg; 2009

segunda-feira, 8 de março de 2010

Santo António


Acho que deveriam cassar a canonização desse sujeito.
Eita santinho mais ou menos que só trabalha quando quer!
Nem afogado, de cabeça pra baixo, o danado perde essa cara de safado!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Será mesmo o segredo?

[Texto mal escrito e porcamente revisado. Problemas no controle de qualidade do blog.]

Precisei escrever comentando o post da Carol.

Tenho sérias dúvidas quanto a usar um amor para esquecer outro, mesmo que seja o amor do tipo ''só por uma noite''. Quem faz isso provavelmente nunca teve a sensação de estar cometendo um erro gigantesco, de estar com a pessoa errada, de estar tentando colar os pedaços do coração partido com cuspe. Obviamente não vai funcionar. E tem também o sentimento de culpa gigantesco por estar usando uma pessoa que também tem sentimentos, medos e pode ter até seu próprio coração partido. E a sensação onipresente de que algo não se encaixa? A sensação de ''mas este não é aquele'' ou ''aquele é que devia estar aqui". Quem troca um amor por outro nunca teve vontade de sair correndo dos braços da pessoa errada. Porque é isso que ela parece: errada. Errada mesmo que seja perfeita, que seja o seu ajuste, tudo que você precisa. Como um sapato maravilhoso que machuca seu pé.

As frustrações e decepções mais egoístas acontecem com pessoas que usam outras. Mas as comparações são definitivamente o pior. Ninguém merece ser comparado e ninguém é totalmente substituível.

Um novo amor pode fazer bem pra autoestima, pra inflar o ego. Novos amores têm o poder de nos fazer sentir humanos novamente. E merecedores de amor, carinho e atenção. Quem nunca precisou disso? Ou até que seja só sexo.

Mas você não se sente completa. Daí você sai, toma um porre federal fingindo que é por outra razão. Ou você fica em casa abraçada no seu edredom o dia inteiro, fingindo que está bem.

Você sente todos os sentimentos mais contraditórios do mundo, ouve músicas, pensa, repensa, sente, ressente, mas não chora, claro que não, porque já há outra pessoa. E você lhe deve uma certa fidelidade culpada porque a estava usando.


 


 

Carol, trocar um amor por outro nunca deu certo pra mim. Nunca me fez ficar melhor. Nem funcionou pra Katy Perry que fez uma música linda falando sobre isso. Ta aí:


 

Katy Perry - Thinking of You

http://http//www.youtube.com/watch?v=kxfxDycUVnE

"Comparisons are easily done

Once you've had a taste of perfection

Like an apple hanging from a tree

I picked the ripest one

I still got the seed

You said move on

Where do I go?

I guess second best

Is all I will know

Cause when I'm with him

I am thinking of you

Thinking of you

What you would do if

You were the one

Who was spending the night

Oh I wish that I

Was looking into your eyes

You're like an indian summer

In the middle of the winter

Like a hard candy

With a surprise center

How do I get better

Once I've had the best

You said there's

Tons of fish in the water

So the waters I will test

He kissed my lips

I taste your mout

He pulled me in

I was disgusted with myself

You're the best

And yes I do regret

How I could let myself

Let you go

Now the lesson's learned

I touched it I was burned

Oh I think you should know"

sábado, 19 de dezembro de 2009

Golpe

Hoje eu acompanhava as idas e vindas de uma das personagens de Rosa Montero.
Eis que, lá pelas tantas, sai da boca da sujeita:
"minhas mãos formigavam de vontade de tocá-lo. Embora não estivesse certa se queria golpeá-lo ou acaricia-lo"
Pois é, essa é uma dúvida que geralmente precede o coração partido.

Páginas depois, a personagem estava obstinada: não iria acariciar nem golpear o varão em questão. Queria mesmo era matá-lo. Sentir o sangue do sujeito escorrendo pelos braços.

Não terminei ainda a leitura do livro, de modo que não sei se ela de fato abre o crânio do rapaz com uma adaga. Mas é um belo exemplo de que os caminhos do amor e da loucura mais dia menos dia acabam se cruzando.

Mais uma conversa com o Diabo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

De Lily Allen e Descartes


Amei, logo existo.


'Ocupando-se incessantemente em considerar os limites que me eram prescritos pela natureza, persuadi-me tão perfeitamente de que nada estava em meu poder além de meus pensamentos, que só isso bastava para impedir-me de sentir qualquer afecção por outras coisas.'



'My world turned upside down
So what did you expect?
My heart is aching
And I've never felt this bad I pinch myself
To check that all of this is real
Keep faking
I'm not letting on
I feel this sad
And then you've got the cheek
To ask me how I feel
And I say Absolutely nothing
I'm absolutely fine
Absolutely nothing
You can say to change my mind
You've seen me cry
Too many times
But not this time
I don't need you
To help me through I'll be just fine'

'As coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las pareceram-me falsas quando pretendi pô-las no papel.'


'I don't wanna hurt you cause I don't think it's a virtue
But you and I have come to our end

Believe me when I tell you that I never wanna see you again
And please can you stop calling cause it's getting really boring
And I've told you I don't want to be friends
Believe me when I tell you that I never wanna see you again
How on earth could I be any more obvious?
It never really did and now it's never gonna happen with the two of us
I don't understand what it is that you're chasing after
But it makes me really sad to hear you sound so desperate
It just makes it harder'

'E eu sempre tive um imenso desejo de aprender a distinguir o verdadeiro do falso, para ver claro nas minhas ações e caminhar com segurança nesta vida.'

'Whenever you see me you say that you want me back
And I tell you it don't mean jack, no it don't mean jack
I couldn't stop laughing, no I just couldn´t help myself
See you messed up my mental health
I was quite unwell
I was so lost back then
But with a little help from my friends
I found a light in the tunnel at the end
Now you're calling me up on the phone
So you can have a little whine and a moan
And it's only because you're feeling alone'

'Nunca o meu intento foi além de procurar reformar meus próprios pensamentos, e construir num terreno que é todo meu.'


'The littlest things that take me there
I know it sounds lame but it's so true

I know it's not right, but it seems unfair

The things are reminding me of you
Sometimes I wish we could just pretend
Even if only for one weekend
So come on, tell me Is this the end?'

http://www.youtube.com/watch?v=FbDMUijBP2U

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amarguras.

Eu tenho me sentido amarga. Incapaz de encarar meu próprio broken heart. Incapaz de amar, sentir saudades ou mesmo odiar meu heart breaker. Há um mês e um dia tomei um fora. Desde então, não parei pra pensar no que passou a significar aquilo que durante dois anos eu chamei de amor. Não sei dizer o que, exatamente, restou. Eu me ocupei de estudos, de livros, de outras pessoas - novas e, principalmente, velhas. Fui guardando os sentimentos nos meus cantos.

Procurei algo positivo pra dizer aqui. Algo que fosse otimista e que expusesse tudo de bom que eu já passei antes de cada broken heart. Mas eu só conseguia pensar em como um coração nunca pode ser totalmente costurado e que ele vai ficando tão duro, tão remendado e cheio de falhas que nem sofre mais. Racionalmente falando, eu sei que levei um fora, que fui usada e que fui feita de boba por uma pessoa de que eu gostava muito. Não derramei uma lágrima, não fiquei triste nem por um segundo. Não senti nada. E se senti, foi só vaidade, orgulho ferido, uma exacerbada auto-valorização. Tudo mentira.

Eu estou me sentindo muito amarga. Eu me finjo, me dissimulo e me engano. Se não estou descrevendo um quadro ou construindo ambiguidades, escrevo mentiras. De resto, sou sincera. Não faço nem falo mais do que sinto. Já que só consigo me sentir assim. Já nem dá pra fingir. Eu posso esquecer, se eu quiser. Começar tudo de novo. Mas nem quero, nem pretendo.

Eu não vou encarar tudo pela quarta vez. Fingir que não estou desencantada ou que não me sinto frustrada, fracassada e incapaz. Não vou fingir que acho que está tudo bem e que tudo bem tentar de novo porque é assim que a vida é. A vida não deve ser assim. Nada, nem ninguém, devia ter o poder de destruir uma coisa que era tão forte em mim. Essa coisa de eu ser romântica até os ossos. De eu viver e ser o romance da vez. De encantar os ouvidos das minhas amigas com o charme, a inteligência, a beleza e a fantasia das minhas idealizações. Por tudo que eu disse e escrevi, vivi romances idílios e monstruosos ao mesmo tempo. Por tudo que eu exagerei, por tudo que eu vi, por tudo que eu romaceei.

Eu não queria ter perdido isso. Não queria ter que me sentir assim agora e, principalmente, não queria ter que guardar essa mágoa pra tentar me "proteger".

Não estou me sentindo triste, não estou me fazendo de vítima. Tive muita culpa nessa história toda. Só estou constatando um fato: o de que eu estou me sentindo muito, muito amarga.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O cara legal que eu não quis.

Em 2002, sob a direção de Sam Raimi, o ator Tobey Maguire encarnou nos cinemas um dos personagens mais famosos e queridos da Marvel Comics, o Homem-Aranha. Talvez pelo collant justinho em azul e vermelho, talvez pelo jeitinho meio tímido, Peter Parker conquistou meu coração quando eu tinha apenas doze anos. Nunca fui atrás dos quadrinhos impressos em papel, nem me vesti de Duende Verde em nenhuma festa a fantasia, mas assisti à adaptação para o cinema centenas de vezes, provavelmente mais do que muitos rapazotes da mesma idade.
Com os óculos apoiados bem no alto do nariz e com uma saudável obsessão pelo meu super-herói favorito, ele apareceu. Foram esses os fatos que me levaram a dar atenção ao que ele dizia. E dizia coisas agradabilíssimas, o tempo todo. Tinha sensibilidade para boa música, embora não tocasse nenhum instrumento musical. Não tive tempo de dizer isso a ele, mas sempre achei que ele deveria experimentar algum instrumento musical.
Talvez piano. Ele tem mãos para o piano. Longas e ossudas que, combinadas com o corpo esguio e os cabelos escuros me passavam uma excessiva sensação de segurança. Ele tinha um jeito de marido, para falar a verdade, embora combinasse paixão e suavidade com uma maestria que eu nunca mais encontrei e homem algum. Era um cara legal em vários aspectos. Além de gostar de música norte-americana e acompanhar todos os seriados que seu tempo livre permitia, ele jogava futebol americano. Não sei se fazia isso porque realmente gostava ou só pra fazer tipo. Não tive tempo de conhecê-lo o suficiente para saber. É uma dúvida que me perturba até hoje, principalmente porque pesquisei bastante sobre times, regras, campeonatos e o esporte não me atraiu de maneira nenhuma.
Fato é que, sendo eu quem eu sou, e sendo ele quem ele é, ou melhor, sendo eu quem eu sou e ele quem ele era (já que a vida e moça o devem ter mudado mais do que seria possível, para mim, imaginar), tive certeza, no exato momento em que segurei a sua mão, que não poderia segurá-la por muito tempo. Meu toque pedia fúria, loucura, novidade. O toque dele transmitia uma tranqüilidade e uma estabilidade intangíveis até mesmo para a minha imaginação.
Sei que tentei convencê-lo disso por meio de explicações sem nenhum cabimento. Queria poder fazê-lo acreditar que eu tinha um dom, o dom da premonição, e que eu o via, no futuro, sendo muito feliz por aí, com quem quer que fosse, exceto comigo. Ou então que era perfeitamente comum que eu o estivesse magoando: eu também já fora magoada e ele também magoaria alguém um dia. Pode ser que eu realmente acreditasse no que estava dizendo naquela época (e realmente sinto que eu acreditava), hoje, no entanto, acho uma tremenda de uma conversa fiada. Não fiz o que fiz por maldade, fiz por mim, pelas coisas que queria e com que sonhava, e também por ele, pelas coisas que ele queria e com as quais sonhava. Espero que um dia eu tenha a oportunidade de dizer isso ele.
Se ele sofreu ou não, fato é que minha mais sincera balela deixou o caminho livre para que aparecesse em sua vida uma moça baixinha, com olhos pequenos e redondos, quase felinos, tão suaves e sensíveis quanto os dele, que lhe deu o que ele queria. Da mesma maneira como deixou o caminho livre para a minha boca suja, minhas experiências excêntricas, cheias de riscos aos quais, tenho a sensação, ele jamais se exporia. Eu posso ter inventado a tal premonição, mas acredito que minha fé e a justiça da natureza fizeram por bem torná-la realidade.
Não tem vez que eu assista ao Homem-Aranha sem me lembrar dele. Quando vejo algum meninote louco por videogame, não consigo evitar o riso por dentro. E às vezes, mais freqüentemente anos atrás, assistia aos jogos da NFL na ESPN só para recordar as regras do “football” que, com tanto esmero, aprendi para agradá-lo. Estamos onde deveríamos, não sentimos falta um do outro, não temos contato. Tenho inclusive a sensação de que ele se lembra de mim com muito menos freqüência do que eu dele e que, quando se lembra, isso nem faz diferença.
Bastante curioso que eu nunca tenha escrito nada, em absoluto, sobre ele. Acho que dediquei tanto tempo recheando páginas com histórias sobre os outros, aqueles que não me quiseram, que não sobrou nem um minuto para escrever um versinho sequer sobre ele. O cara legal que eu não quis.

domingo, 22 de novembro de 2009

How can you NOT break a heart?

Pode parecer mesquinho, pode ser que me odeiem por estar escrevendo isso, mas estar do outro lado da história não é assim fácil e irrelevante. O lado do mal, o "vilão" que sai por aí pisoteando e dançando salsa sobre os sentimentos alheios.
Ninguém escolhe quando e por quem se apaixonar.
Já fui acusada de não ter coração, de ser fria, indiferente e insensível. Foram tantas ofensas e tão convictas que cheguei a acreditar que era verdade, que tinha algum problema.
Mas o fato é que dói muito ouvir isso, e a verdade é que não há nada de problemático em não conseguir retribuir todos os sentimentos que provocamos.
Ninguém está livre de ter seus sentimentos feridos, mas também não há quem nunca tenha ferido os sentimentos de alguém.
Nós estamos sempre oscilando entre ambos os lados.
Hora destruímos, hora somos destruídos.
Em algum momento, inevitavelmente, nossos sentimentos vão coincidir com os de alguém.
Enquanto isso, permanecemos com as desilusões.
E são essas desilusões que movem o mundo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Uns pensares.

Até eu, que não gosto de poesia, tenho meu poema preferido:

Soneto de Fidelidade - Vinícius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

O meu problema é que eu quero, e tento, um amor eterno... Num mundo em que as coisas não são feitas para durar...